EU, O PASSARINHO, O PAI E O MENINO
Sem pressa, abriu as janelas e os braços. Alma ensolarada recebendo o beijo manso da brisa. Salpicou gotas de lavanda sobre o forro da cama e travesseiros. Envolver-se na simplicidade, fugir dos ressentimentos e raspar da pele, o desânimo. Evitaria as frustrações dos desejos irrealizáveis. Atenta ao gosto de cada nova manhã! Descansadamente, apreciar toda a Graça, entregue ao nesse instante. Dias assim.
Algumas vezes, caminhava lentamente; caminhou. Quando o céu era nublado e sua visão era curta. Quanto da vida se podia enxergar diante do nariz? O presépio da infância. Na ponta dos pés, eu via. Sobre o espelho, os patinhos nadavam na lagoa. O capim crescido ao redor. No alto da montanha, a estrela-guia. Dela, nunca se apartou. Precisava estar sempre com o Menino que nasceu para sempre. Com o Menino que não deixa ninguém morrer.
Estremecia. Um pesar que fazia arrastar pernas, acelerar pensamentos de dor, falta e agonia. A mente entulhada faz perder o equilíbrio. Alhear-se. Sumiu de si. Partiu junto. O corpo inerte. Movimento, sequer no olhar. Estático, o olhar não via. Não se deixar castrar, também, o riso, pensou. A vida é tão curta! Todos dizem! E linda e generosa. Haveria um jeito de ressuscitar. Sim, o Pai, o Menino.
Inaugurou a semana das trocas. Fronhas, toalhas de banho, flores. E as velas perfumadas de lembranças. Acendo uma sobre o altar. Sente a eloquência do silêncio. Soluça a ausência. Tantas ausências! Acarinhada apenas pelo escuro do quarto, era a sua luz que acendia o amor. A luz do Pai e do Menino vibrando em si. Estremecia.
Preciso cobrir-me o frio de agora. Dissipar a confusão. De não mais ser a que foi. Não sei de nada! O quê? Onde? Quando? Um branco no juízo. Consolo-me. Quem precisa saber das coisas para ser feliz? Reparo nas rosas. Úmidas, as rosas no jardim; e não mais havia rastros do orvalho. Não? Atentamente, notou. Podia colher o orvalho nas trêmulas pétalas. Eu também sou Rosa. Angela, asas quebradas. Não quebraria as hastes para caberem no jarro. Trago a cadeira ao terraço. As rosas ficariam ali, perfumando os dias.
Desencontrada. Imagens surgiam no silêncio daquela prolongada dor. Eu me estendo nos dias, dia e noite. Quem sou, o que desejo? Não posso deixar escapulir meu jeito romântico de viver! Ele mesmo disse. Rodopie a vida em seu corpo lindo, querida. Na paixão incontida de sua alma.
Um medo doido. Um medo que paralisa. Mas, sim, ela arranja forças com o Menino. O Menino lhe salva. E não haveria de silenciar a orquestra da alegria, dando espaço ao desconcerto. Do amado, ressoa no coração um assobio alegre, terno, chegado daquelas manhãs serenas; ajudando na arrumação da casa. O serviço de casa é, também, serviço d’alma. Ando assim, como se não tivesse o que fazer! Fazendo o que der na telha. Meses, dando voltas, sala, quarto, pelas ruas. Onde, a essência que fez nascer o melhor de mim? Estendida nos raios de sol, oi amor, ela me chega. Morna. No vento, toca-me a pele. Nos pingos da chuva, alegra folhas e caules. Não esqueça de aguar as plantinhas.
Arrumar, arrumar. Hoje, agonizo no abre e fecha dos armários da cozinha. Um mundo desaparecido no suspiro único! O mundo desaparecido. Onde estou? Onde estão as coisas? O amor em pessoa? O mundo desaparecido. Onde estão as coisas? Onde estou? Você está com o Pai e com o Menino, eu sei. Guardo os talheres e a louça. Penduro o espelho reluzente e não me vejo. Onde estou? Quantos dias se passaram? Os dias que não se conta, também, ensinam. Gritam, quando nada mais há para se dizer. Só colher os grãos que se plantou, sussurram. Aprender alimentar-se. Matar sede e fome de amor e de amar. Honrando a vida, o permanente Amor, amor.
Sente o coração se alargando. Imensidão do Pai e do Menino pulsando em si. Transpor, então, o que parece intransponível, alçar os voos improváveis. Sem ceder ao desencanto e amargura, encontrar jeito de afagar-se, reacender-se. A hora chegaria. A mente despreocupada das demandas; de passagem, de passagem, distanciando-se de provas, provações, decisões difíceis. Sentir-se em ritmo renovado. Seguir o fluxo do mundo e, no descontrole, descansar. Que a vida reorganize o que seja necessário. Sem o embate, a inútil luta, a energia desperdiçada. Na sabedoria de esquecer-se a própria vontade, viver aceitação.
No deserto, seguir ao relento. E, ainda assim, sob o brilho das estrelas, perceber-se uma mulher feliz. Uma mulher feliz da felicidade que viveu. Feliz do amor que lateja no sangue. Não ficaria mil e uma noites sem histórias para contar. No deserto, sabe-se bem. Ao pó voltarás. Dentro de uma urna. Na palma da mão, lhe entreguei aos mares, revivendo as conchas catadas em manhãs de riso. Saudade. Latejando lembranças, a saudade. Invariável. Ele acordava e dirigia-se à varanda. Três minutos de respiração profunda no silêncio da manhã. Trocava a água dos passarinhos. Levava as cascas do mamão, deixava sobre a murada. Um menino-passarinho. Cantava para ninar gente grande.
Nos passarinhos, às vezes, ele me visita. Canta alto. Saltita; e de repente, fica imóvel; me fitando sem um pio. Nada se mexe. Depois alça voo. Fico eu, comovida, reencontrada!
Os sentimentos, os sentimentos. A vida inteira foi assim. O Divino, a estrela-guia. No vento, nas labaredas seguia respirando o Amor. Pisando chãos, nadando mares. Atravessando riachos secos.
Os dias se fazem perfeitos quando vestimos a nossa luz. Fim da tarde, uma ternura imensa. Saía do banho descansada. E estendia-me no sofá para esperá-lo. Sopa fumegante à mesa, um fio de azeite, um pinguinho ou dois de pimenta. E nossa vida acalorada, assim, do nada. Assim, do tudo.
Do dito e da indizível imensidão, vou. O voo chegará, Passarinho.
ONDE NÃO SE IMAGINA
A casa sempre me transportou à energia das descobertas. Quando retorno, e o pé toca o batente da porta, a doçura da vida volve à minha boca. O vento trazia o cheiro do leite no tacho. Com açúcar, virava doce. Debaixo da quixabeira, a gente comia, lambia os beiços e, ainda, o pires. Reza e aventura nos ares.
Das vivências na fazenda, o que mais impressionava era a matança do bode. Ficava à espreita. Apreciar era ato de coragem que fazia o coração disparar. Fechava os olhos à cacetada na testa. E os ouvidos. Mas escutava a pancada certeira. Depois, o bode pendurado pelas pernas balançava como roupa no varal. A partir daí, os olhos, deixava-os bem abertos e apreciava a operação. Como se fosse um cirurgião, meu tio tirava a pele com o cuidado de quem borda ou pinta para não lhe comprometer a inteireza e o valor. Com movimentos rápidos e precisos, ele esquartejava o bode. As partes eram separadas e depois cortadas com maestria. Até não haver mais lembrança do animal. Apenas pedaços que mais tarde, seriam delícias.
O fogão era um amigo querido. Dava gosto se viver ao redor. Ali, em espetos de pau, eram assadas pequenas porções do fígado. A salmoura escorria fazendo chiar as brasas. Sobre as brasas, eram colocadas as cebolas. Distanciadas das labaredas, levantavam cheiro. E havia os rituais. Bacia no colo, em conversa animada, o feijão verde era debulhado em volta da mesa. O leite fervente logo se amornava, deixando a nata espessa a ser colocada sobre o pão amanhecido; quero mais. Sobre a coalhada escorrida, duas colheres de açúcar. Meninas, vão ficar com dor de barriga. Não ficávamos. Da manteiga de garrafa espremida num pano alvo, sobrava a borra. Deliciosamente, o líquido descia preguiçoso, um fio amarelo mel. Amarelando a tapioca e o beiju. Arroz vermelho. Quebra bucho tostado por cima. Brasas sobre a tampa de metal. Na massa do milho, pedaços de amendoim a se perderem na maciez.
Costumes atiçavam a imaginação. No terreiro, sob a luz da lua ou do candeeiro se tocava violão. Cantávamos. Em conjunto ou revezados, muitas eram as canções que abasteciam a nossa alma. Mal vislumbrávamos as fisionomias uns dos outros. Apenas pela voz se percebia se tristeza ou deleite imperava no coração daquele instante. A vida era plenamente uma brincadeira. Bolos maravilhosos surgiam de nossas mãos. Nasciam do barro molhado. Precisava de arte para confeitá-los. Caprichávamos na cobertura colorida. Cinza, com as cinzas do fogão; branca, com pó do gesso; vermelha, com raspas de tijolos. Manhãs inteiras atrás de flores. Mandacaru, catingueira e até flor de quipá. O quipá deixava em nossa pele, invisíveis espinhos que nos faziam chorar. Entre lágrimas e advertências, eram retirados. Um punhado de cera de abelha resolvia. Pois, sim. Vamos brincar de novo.
Não tinha jeito. Chegando ali, a poesia voltava. Infantil, brilhante, larga, enchendo-me os olhos, o peito. A casa falava dos sonhos. As cancelas, os currais, a quixabeira, a fonte. Os potes sobre o banco de madeira. O rastro d’água na terra seca. Água trazida da cacimba sobre os ombros dos primos. Dois galões de cada vez. A goiabeira que outrora parecia uma senhora agora não passava de menina, ainda oferecendo os doces frutos e galhos. Neles, nos empoleirávamos à espera de um moço em disco voador. Quem mandou dar ouvidos a Raul Seixas! E sonhar e sonhar! “Me leve com você aonde você for!”.
Os sons do mato. Vento e folhas. Era maravilhoso, e serenava a alma escutar os chocalhos do gado voltando do pasto para casa no final da tarde. Sala da frente, quatro redes se estendiam dos armadores de madeira. Escuto os nossos gritos de alegria em balanços altos e as broncas na mesma altura. Quem já se viu! Os banhos no riacho do Navio, água límpida e gelada. Esparrame do corpo no lajedo quente sob um sol sem piedade, que delícia! E se ouvia o canto dos passarinhos, e saltitantes passarinhos, ali, juntinhos de nós.
Junho chegava fazendo festa. Nas pontas das varas, milhos eram assados sobre a fogueira. Saltavam-se brasas para selar um comadrio. Eu e Rosa. Rosa e eu. Você vive em mim, comadre. Pamonha, pipoca. A paçoca sorrada no pilão. A mão de pilão no sobe e desce dos braços, em movimento ritmado, ruído surdo sobre a farinha e quebrando a carne assada.
O morador me estendia a mão com reverência. Sem nada saber de reverência, eu, encantada, mergulhava no poema. Ele, junto à esposa, nos contava histórias. Eu e a dúzia de filhos acocorada pelos cantos da minúscula casa. Taipa, cor de chocolate. Embevecida, iluminada. Sem despregar o olho do tom, dos gestos, da rapidez ou lentidão da narrativa- peleja e salvação- eu podia ver e sentir a poesia existente na caatinga. Nas dificuldades, o sertanejo respira do céu, uma força inimaginável. Uma força nascida dos mistérios da fé. Tirada da água barrenta, da falta d’água. E agradece.
A poesia da caatinga se derrama sobre mim; comove. A beleza me abre em versos que palavras não dizem. Sorvi, ainda com inocência, a poesia resistente nos cactos. E estremeço à poesia que se encontra nos sacrifícios das vidas acesas num quase morto torrão. Eles a pinçam respeitosamente das carcaças fedidas, dos pratos vazios, dos calos nas mãos.
AMIGOS E SÓ
Na praça, a turma brincava de barra-bandeira. De mão direita. A minha está desocupada, quem ocupa? De pera, maçã ou uva. Eu queria salada mista. Ele tocava violão e morava no fim da rua. Ao meio-dia, ficava sentado no peitoril da janela. O silêncio era cortado pelo assobio do vento, vez por outra. Eu espiava de longe e saía para o coreto. Ele vinha em seguida. E todo mundo da rua costumava vir. Voleibol e outras brincadeiras.
Às vezes, sentava no patamar da igreja e cantava ao violão. “Desde o tempo de criança você usava trança e eu gostava tanto, tanto de você.” Quem o encantaria? Quem ocupava o seu coração? Querendo escapar das lágrimas daquele tempo de amadurecer, eu fazia poemas pensando nele. Enquanto não amadurecia, sonhava. Cheia de espinhas nas bochechas. Enamorada? Todos sabiam. As confidências vazavam. Ele estava louco pela menina da rua ao lado. Outras inexistiam. Às vezes eu desconfiava não ser bem assim.
Uma noite não esqueci. Na festa do colégio, às margens do Pajeú. Sentada numa mesa distante do grupo. “Escuta, meu amor, você seria uma fada, uma fada encantada, ô, ô…” A voz de Ronnie Von chegava estremecendo a alma. Ele me olhava fixo. Duvidosa, virei-me para confirmar. Ninguém atrás de mim. Alguns segundos de magia. Às vezes alguns segundos duram para sempre. Mas, antes do para sempre, alguém cortou o fio do olhar tocando em seu ombro, falando-lhe ao ouvido. Ele levantou-se e saiu do cenário festivo.
Algum tempo, ele viajou para estudar em lugar distante. Escrevia-me cartas. Toda semana recebíamos notícias um do outro em envelopes lacrados. Quatro ou cinco anos. Leva e traz de sonhos, desilusões, divertimento, problemas corriqueiros. A nota baixa, o fim de semana sem graça, o filme comovente, a namorada que arranjou, a briga com a namorada.
O dia chegou em que comuniquei com alegria. Também vou morar aí para continuar os estudos. Que bom de novo ter você perto. Não se preocupe, ajudo no que puder. Final de semana, pego você para mostrar os pontos mais animados da cidade. Pegou. Pegava. Todos os finais de semana. Pegava e levava de volta ao pensionato para moças. Pontual. Coração alado. Ah, coração alado. Escuro véu. Tempo de mansões, sentimentos, feras enclausuradas.
O namorado longe de mim, preocupado. Cuide-se. Não quero isso, não quero aquilo. Esteja tranquilo. Só o amigo ao lado. Guardião? Enamorou-se da minha colega de quarto. Paixão avassaladora. Depois, o amigo dele andou apaixonado. Gritava o amor frente à janela do meu quarto. Ele calado. Às vezes, ria. Apenas presença. Levar e trazer. Só casava se encontrasse alguém igual a mim. Disse certa tarde com o riso engraçado, copo de cerveja na mão. Brincadeira de bom gosto. Do sempre amigo e só.
Algumas vezes, fui indagada se não havia namoro entre nós. Não. Nem antes, nos olhares encabulados da praça, menina de trança, nem depois, nos cursinhos para vestibular, baladas mil. Algumas danças. Nem aperto, nem chamego, nada. Só o morno do momento. A delicadeza do contato. Respeitoso. Respeitada. Nada. Silêncio e só. Tempos afastados. Ele casou-se com outra. Teve filhos. Eu, casada, filhos também. Tempos afastados.
Nos encontros de hoje, meio aos amigos comuns, eu sem trança, ele carregando o violão, “você deve compreender-me se eu quis sonhar, é que meu destino está tão marcado, ah, minha vida, outra vida, um amor de verdade”. Há o abraço, o riso e os olhares marotos e tímidos carregados daquele tempo. Mais nada.
A DANÇA DAS MUITAS MARIAS
Regia-se pelos signos. Os astros lhe indicavam a direção. Naquela manhã, teve o pressentimento. Seu olhar pairava onde nada se via ou havia. Na bolsa, nem certidão de nascida. De si, apenas que se chamava Maria de Maria. Quando o telefone tocou, a respiração parou no peito. Pela manhã, beijou o menino. Precisando trabalhar, correu para a vida. A morte também correu. E chegou em casa, seu filho dormia para sempre. Envolvido pelo lençol branco e rasgado. Deu três voltas pelo quarto, as mãos sobre a boca. Mais três voltas, parou frente ao oratório. Ajoelhou-se. Nada a dizer. O mundo havia silenciado. Os olhos sangrantes. Os olhos conversavam com a santa: Oh, mãe, Oh, querida mãe, porque o meu filho dorme desse jeito? A última porção de terra, jogada. Cento e vinte minutos de passos arrastados, de volta ao barraco.
Seu menino devia estar correndo, braços abertos, rodopiando na chuva, risada alta. Ela tremia. O frio rasgava -lhe a voz que ninguém escutava. Tudo molhado. Tudo vazio. Melhor seria descer com o filho à sepultura. Agarrada com ele. Não soube o que fazer naqueles dias. O mundo era um silêncio só. O mundo perdeu a voz. Para onde correr, melhor morrer, melhor, seria. Mas, a vida segue. Tanto quanto chega, também, é fato. E quando chegou, sempre teve peito para o menino. E houve pão dormido, choro, abraço, catapora e falta de pão. E houve creche, riso, trabalho e fé. Doze anos. O filho estudava e aprendia. O filho ensinava. Certa vez lhe ensinara o sentido de uma longa noite. O filho dormindo em seu silêncio. No silêncio daquela dor, seu menino vivia.
Um dia, amanheceu. Amanhecida para a vida, fez cursos. Da favela, ao exterior.A vida era outra, agora. Trabalhava para família de alto luxo. Esplendoroso jardim! De manhã, ela dançava no jardim. Lilás e laranja. Alheia ao mundo, ela dançava. O mundo! Era tão surpreendente, o mundo! Respirava fundo. Divagava. Abria os braços, olhos fechados, bailava. Abraçando o silêncio da ausência. O menino vinha abraçá-la. Ela, aspirando o perfume. O azul dos olhos do filho, entre as rosas, inteiramente, nas rosas; o perfume, dentro d’ alma.
Dançava com seu menino, bebendo-lhe o riso manso, o riso terno, o riso transbordando para dentro do seu! E dele, recebia o buquê perfumado, sempre depois dos aplausos. Eles mesmos se aplaudiam. As mãos abertas e estendidas em sua direção. As únicas que passearam em seu rosto declarando amor. Uma ternura que ela aprendeu a derramar na dança. Deslizava. A vida injetada no sangue! Pulsante no silêncio vivo de seu menino, a vida!
Escuta a valsa dos tempos idos; dos momentos ficados. A valsa de quando sonhavam o mais lindo momento da formatura. Ele, a pegaria pela cintura e lhe daria cheiros no pescoço fazendo-lhe sorrir. Se aquieta, menino. Mãe, você está linda! O que nunca escutara de ninguém. Era sempre assim. Primeiro, a névoa. Depois, os portais se abriam. Seus pés, não mais pisavam o chão. O menino a levando nos braços. Ela se deixando nos braços do menino. Maria de Maria dançava. E, dançando, era quando mais vivia. Quase cem anos, assim, no gigantesco silêncio do amor! Voando ao encontro do filho. Nos bailes dos filhos de tantas Marias!

Rosângela Ferraz: nasceu em Floresta-PE. Mestra em Tecnologia Ambiental, cursou Magistério, Contabilidade, Relações Públicas e Direito. Faz apresentações poéticas. Conta com discursos proferidos, um poema musicado e texto de livro utilizado na elaboração de prova para concurso público. Ganhadora de concursos literários, publicou em diversas antologias. Faz uso da palavra, prosa e poema. Membro da Academia de Letras do Brasil (ALB-PE) e da Academia de Artes e Letras da AABB-Recife. Escreveu “Olhando a Vida”, “Detalhes de Amor”, “Venha”, “Estrela Cadente em Direção ao Céu”, “Campos Ceifados”, “Águas de Chuva”, “Os Três Elementos” e o “Sexto Sentido”, “Arte-Educação como Instrumento de eficácia”, “Eficiência e efetividade na Gestão Integrada de Resíduos Sólidos no TJPE”.
