RIMAS SOLTAS
Quintessência
suprassumo.
Fio de prumo
construção e traço
zinco cobre e aço.
Diferença de níveis.
O pobre o rico e o ricaço
o de cima o do meio o palhaço.
Dedo duro
beco escuro.
Para me proteger
fico atrás do muro.
Cara ou coroa
popa ou proa
canoa furada.
Pedra enorme no meio do sapato.
Desafeto desenlace desacato.
Vida difícil
bomba míssil
clima de guerra.
Fim de linha
fico na minha.
Final do conto.
Bato o ponto.
Assino e pronto.
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ERRADO OU CERTEIRO
Jogo com as palavras
feito jogo com os dados.
Quase sempre os resultados são os mesmos.
Acaso e espanto sucesso e desencanto.
Versos sempre e sempre dizendo tanto.
Quem ouve ou lê
não entendendo nada.
Palavras passadas
delimitando espaços
custos cansaços
na incumbência de criar
uma nova forma.
Uma nova forma
nova mensagem
novo poema.
Um poema novo
para mostrar-se por inteiro
mesmo falso ou verdadeiro
mesmo incerto ou certeiro.
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TOMADA DE CONSCIÊNCIA
Tomo xaropes
tomo comprimidos
tomo milhões de coisas.
Injeto insulina.
Leve curta e fina
do meu dia a dia
a agulha sempre faz parte.
Com a saúde faço arte.
Aceno para um futuro
enceno o mesmo claro e escuro
enceno a mesma vida de sempre.
Em cima do muro
fica todo o resto
feito um manifesto.
Prestando ou não prestando
nada modifica nada qualifica
não adianta quase nada.
Simplesmente porque não ligo.
Simplesmente porque desligo.
Jogo tudo para o alto.
Tomo consciência do ato.
Simplesmente tomo consciência.

José Fernando de Albuquerque Tavares é escritor, médico psiquiatra, psicólogo clínico e poeta. Autor de quatro livros de poemas publicados: “Metamorfoses do Tempo” (Tarcísio Pereira Editor–2014), “Chamas e Cinzas” (Editora Nova Presença–2018), “Paixões Expostas” (Editora Nova Presença–2021), e “Todos os Tons de Azuis” (Editora Nova Presença–2023). É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES – Seccional de Pernambuco); da Academia de Artes e Letras de Pernambuco (AALP); da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda (AALCO).
