SONS DA NOITE
Declina o sol para seu regaço
A terra se envolve em meio às sombras
Cai a noite!
Acomodo-me no macio leito em meu quarto
Recordando as ações do dia que passou
E envolvida num sentimento de paz e gratidão
Entrego-me ao prazer de um sono reparador….
Pois é noite! Alta noite!
Tudo parece tão calmo!
Cessa o trabalho, param as máquinas
Multidões ocultam-se apressadas
Tudo parece diminuir a intensa energia….
Até o passaredo recolhe-se nas copas das árvores
Permeando o verde com sua plumagem
Exibindo as mais diversas cores
Entre as viçosas folhas da imensa floresta
Não se ouve mais o seu encantador gorjeio
Pois é noite!
De repente, rompe-se o silêncio que assusta
Ouve-se ao longe o ladrar de cães vigilantes
Que dormem acordados na escuridão da noite.
Gosto de ouvir a sinfonia selvagem dos animais!
Ainda que seja noite permanecem atentos….
Outras vezes, o silêncio é cortado
Por vozes de caminhantes apressados
Retornando dos folguedos noturnos, altas noites!
Oh, aqueles sem teto resmungando baixinho
Envolvendo-se nos trapos
Procurando acomodar-se das fadigas do dia
Pois é noite! Alta noite!
A noite é um mistério!
Ora tranquila, silenciosa e calma
Ora vêm as madrugadas em que o sono foge
As velhas lembranças afloram
Pois é noite!
Ah, juventude do meu passado!
Quantas vezes vozes apaixonadas
Quebravam o silêncio da noite!
Lindas canções para a mulher amada!
Como era lindo, fascinante
O cortar do silêncio da noite!
Sons da noite, muitos sons
Que embalam a alma ansiosa ou calma
Animando o presente recordando o passado
Esse lindo corte do silêncio da noite!
Sons da noite, muitos sons
O mais precioso, porém, é saber que à noite
Pode-se ouvir com maior perfeição
A voz sublime, maviosa, pura do Eterno
Que fala com tanto amor ao coração
Enchendo a alma de profunda paz
No silêncio da noite cortado pelos sons
Do infinito amor, amor de Deus, amor paterno!
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HINO À VIDA
Momento místico de dor e de alegrias
Na natureza tudo é belo, encantador….
Cada um reproduz seu próprio fruto
E assim da vida, nova vida rebentou
Pequenino e frágil surge um novo ser
Rompe barreiras e é lançado por milagre
Chega à luz envolto na beleza do contraste
Da magia do amor, do simbolismo do viver
Nasceu sentindo a dor do grande corte
Deixando o aconchegante útero materno
Para abrir o olhar tenro, vacilante
Pro grande ninho que envolve o universo
Momento mágico e de beleza rara
Indescritível é o surgir da vida
Somente Deus domina este espetáculo
De uma vida produzir a vida!
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CELEBRANDO AS MÃOS
Senhor, Tu nos fizeste com carinho
Nosso corpo é algo encantador
Tudo funciona em harmonia e paz
Pois tudo fizeste perfeito, com amor
Hoje pensei em minhas mãos
Olhei para elas, outrora macias e belas
Com o tempo as vejo agora diferentes
Mas seu valor não me deixa esquecê-las
Minhas mãos, como vocês me têm servido
Agora mais débeis, marcadas pelo tempo
Foram minhas companheiras por toda vida
Para alcançar, pegar, levar à boca o alimento
Que seria de mim sem minhas mãos
Pois com elas cuido de mim e do irmão
Com as mãos posso dar gostoso abraço
Fortalecendo assim da amizade o laço
Obrigada, Pai, por minhas queridas mãos
Diligentes, obedientes e cuidadoras
Ajuda-me, Senhor, a usá-las honestamente
E porque as me deste agradecer-te, sempre
Minhas mãos, quão preciosas para mim
Que prazer juntá-las e fazer uma oração
Até que um dia, tomadas por amor
Forem conduzidas pelas mãos eternas do Senhor.

Iracy Leite é bacharel em Direito (UNICAP), Licenciada em Letras (UNICAP), Mestre em Educação Religiosa (Seminário de Educação Cristã – SEC), pós-graduada em Administração Escolar (FAFIRE). É membro da Academia Evangélica de Letras e da Academia de Letras e Artes da Capunga. Foi ex-diretora do Seminário de Educação Cristã – SEC, ex-gerente pedagógica do Colégio Americano Batista, Técnica em Assuntos Educacionais do INSS (Concurso Interno), professora de Língua Portuguesa e de Francês (Estado).
